A adolescência é, segundo dizem, o período menos ajuizado
do ser humano. No entanto, é com os erros que se aprende e é isso que este
período tem de bom, para além das memórias que nos deixa.
Contudo, a adolescência é sempre diferente de pessoa para
pessoa, portanto, se eu comparar a minha adolescência com a da minha mãe, irei
encontrar muitas diferenças.
Uma vez que a minha mãe nasceu em 1964, a sua juventude
começou por volta do ano de 1977, finais da década de setenta.
Naquele tempo, a minha mãe era obrigada a ir à missa
todos os domingos, ia sempre muito aperaltada, apesar de não dar importância à
roupa que usava. Para além disso, como vivia numa casa muito grande e tinha uma
família muito grande, tinha sempre tarefas para fazer, limpar o pó, lavar a
louça e outros trabalhos domésticos e, por esta razão, a sua mãe, que era
analfabeta e não tinha noção da importância do estudo, só a deixava estudar
depois de concluir todas as tarefas. Efetivamente, naquela altura, os
professores eram mais distantes e muito exigentes, porém, os alunos tinham
sempre tempo para estudar e fazer os trabalhos que lhes eram propostos na
escola, apesar de não terem tanta facilidade no estudo como atualmente.
A minha mãe conta-me que os passatempos dela eram
brincar, saltar à corda, jogar à macaca, correr. E brincou não só na sua
infância como na sua adolescência.
Atualmente, os adolescentes são muito diferentes do tempo
das suas mães, por exemplo eu. Eu diferencio-me imenso da minha mãe, quando
esta tinha a minha idade. Eu não frequento a catequese, não sou obrigada a ir à
missa, nem a praticar uma religião.
Eu não tenho de fazer tarefas domésticas em casa, a não
ser tratar do meu quarto e arrumar as minhas coisas. Isto faz com que tenha
muito mais tempo para o estudo do que a minha mãe tinha, embora, atualmente, a
juventude queixa-se de não ter tempo para o estudo, o que nem sempre é verdade,
e quanto aos professores, eles são, hoje, mais amigos dos alunos e mais
compreensivos.
Relativamente, aos meus passatempos, eu passo o meu tempo
livre a praticar desporto, a ler, a passear, ver museus e exposições, a
preocupar-me com o meu guarda-roupa, a ver televisão e a conviver com os meus
amigos e a minha família. O que me faz concluir que a juventude da geração da
minha mãe era completamente diferente da minha, ou seja, tinha muito menos
liberdade.
Em suma, eu penso que são duas realidades divergentes e,
se eu tivesse que escolher uma, provavelmente não chegaria a uma conclusão.
Isto porque eu gostava de ter tido um maior contacto com a natureza e com os
animais na minha infância, tal como a minha mãe teve.

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