Algures perto de uma clareira, caminhava um rapazito muito magro, pálido e desanimado. Tinha um rosto muito redondo e olhos azuis como o céu num dia primaveril.
Vivia com o seu avô, homem muito sério e sábio. Tinham uma pequena cabana perto do rio.
O rapaz era órfão de mãe e desconhecia o seu pai, ficando então a cargo do seu avô paterno que era lenhador.
Desde pequenino, o rapaz revelou-se muito destemido e independente. Frequentou a escola até ao 4º ano e depois foi trabalhar com o avô.
No fim de um dia de trabalho, ambos se sentavam junto à lareira. O rapaz deliciava-se e adorava as histórias que o avô lhe contava. Todos os dias ouvia contos que, mesmo sendo repetidas, o encantavam cada vez mais…As narrativas que o avô lhe contava eram mágicas e educativas fazendo com que o rapaz, durante a noite, sonhasse com as histórias.
Certa noite, o miúdo pediu ao avô que lhe contasse uma história. E o avô começou a narrar.
- Há muito, muito tempo numa floresta densa vivia um casal que não tinha filhos mas que ansiava ter. Um dia, enquanto caminhavam, encontraram um menino muito pequenino e engraçado enrolado em panos brancos e macios como neve. Decidiram adotá-lo e levaram-no para sua casa.
O menino foi crescendo e tornando-se o orgulho dos seus pais.
Houve um dia em que a lenha tinha acabado, o rapaz foi apanhar ramos de árvore caídos…No território que conhecia não havia muita lenha, afastou-se um pouco mais.
De repente, olhou em seu redor e percebeu que estava perdido. Caminhou durante algum tempo, mas nenhum caminho lhe parecia familiar. Decidiu descansar para recuperar forças porque tinha que encontrar o caminho de regresso.
Já tinham passados vários dias e o rapaz continuava perdido. Todas as noites rezava ao Pai do Céu para que alguém o encontrasse.
O rapaz nunca desistia. Noite e dia, dia e noite procurava um sinal de esperança.
Exausto da sua busca, o rapaz sentou-se e viu no chão pegadas muito grandes e frescas. Presumiu que seriam de seu pai. Não tinha nada a perder, decidiu segui-las. Era um rasto interminável mas o rapaz não desistia. No momento em que as suas forças o estavam a abandonar, avistou ao longe uma luz muito brilhante, calorosa e familiar – era a chama ardente da sua lareira.
Correu em direção à sua cabana, bateu à porta e, quando esta se abriu, agarrou seus pais e todos, muito comovidos, festejaram o feliz e desejado reencontro.
- Vês meu neto, nunca devemos desistir, temos que concretizar os nossos sonhos mesmo parecendo impossíveis de realizar. A esperança é a última a morrer.
Terminada a história, foram descansar. E no dia seguinte retomaram a rotina habitual.
O avô e o neto eram pessoas muito simples, sem luxos, mas todos os anos iam à feira tradicional da terra.
Nesse ano, tudo estava diferente, havia divertimentos novos, atracões mais emocionantes.
Para grande surpresa do avô e do neto, um homem de grande porte veio ao encontro deles, provocando no avô um choque emocional.
- Meu filho! – admirou-se o avô.
- Sim, pai, sou eu…Vim ter convosco, tenho muito tempo a recuperar junto de si e do meu filho.
- Pai, és tu, mesmo tu? – questionou a criança.
- Vem sentar-te ao pé de mim, temos muito que conversar. O teu nascimento foi um acontecimento que eu não previa e, com a morte da tua mãe, eu senti- -me perdido, não conseguiria educar-te. Optei por deixar-te aos cuidados do teu avô. Peço-te desculpa, naquele momento não era capaz - disse o pai chorando.
- Ao início não compreendi porque me abandonas-te, mas agora entendo e não estou magoado. Vamos ficar juntos?
- Claro filho, se vós quiserdes vamos todos morar para a minha casa no centro da cidade. É pequena mas muito confortável. Então, vamos?
- Sim, sim. – disse o rapaz.
Depois de uma vida separados, o avô, o pai e o rapaz começaram um novo capítulo todos juntos.
Inês Rodrigues, 7ºA
[2011/2012]
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