quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um baú muito peculiar

O objecto “baú” relembra a todos muitas histórias relacionadas com tesouros escondidos em ilhas distantes e desertas, e com piratas de olho de vidro e perna de pau. Porém, e se o baú se encontrar nas mãos de um sapateiro? Que tipo de tesouro teria?
Raul era um jovem rapaz que se dedicava a tempo inteiro a produzir, modernizar e transformar sapatos, tornando-os mais adequados para os seus donos. Todos os seus dias eram preenchidos por trabalho, trabalho e mais trabalho, deixando de lado as amizades, os amores e outros sonhos e interesses. Tornou-se num robô, sem sentimentos e emoções, com um único objectivo: alcançar uma vida sem dificuldades, misérias e pobrezas.
No decorrer do tempo, o “patinho” passou a “cisne”. Após longos períodos de trabalho árduo, os seus sapatos tornaram-se os mais belos e desejados daquela região.
Raul tornou-se num homem rico. Tudo o que possuía era cheio de brilho e cor. Todavia, esta beleza encontrava-se só no exterior, porque o interior era obscuro, os sentimentos e emoções tinham desaparecido....
A melhoria das condições económicas e financeiras de Raul permitiu a expansão da sua loja por mais sítios e também a possibilidade de admitir ajudantes.
Certo dia, uma mulher de cabelos negros, contrastados com a sua pele branca, pede e implora por um emprego na sua loja. Raul, ao ver a imagem da pobre mulher, vestida de tecidos velhos, sem cor e sem brilho, recusa o pedido, pois uma figura destas só poderia estragar a imagem da sua sapataria. Ao ser confrontada com tal resposta, a pobre mulher oferece-lhe o objecto mais valioso que possuía, um baú, para tentar convencê-lo a contratá-la. Raul fica surpreso e intrigado, mas, por outro lado, admirado com o objecto que lhe fora oferecido. O baú era revestido por talha dourada que brilhava à luz do sol, e apresentava padrões únicos e tão belos que ele não pôde recusar.
Quando recebeu o baú, não aguentou mais e decidiu logo abri-lo. Dentro deste, encontravam-se todos os sentimentos e sonhos por ele esquecidos. Por isso, ao abrir o baú, abriu também o seu coração, deixando escapar todas as suas emoções. Agora, o interior de Raul brilhava com o seu exterior, a luz tinha incidido, também, no seu coração acendendo a sua chama de novo.
Com a abertura do baú, a vida e a personalidade deste sapateiro mudaram. Raul aprendeu que um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

Susana Claro

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A autora da próxima história é ...



... Susana Claro - 9ºAno [2010/2011]

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