sexta-feira, 15 de abril de 2011

A descoberta


Eu era uma arqueóloga muito conhecida no meu país. Tinha um óptimo emprego e (sem querer parecer convencida) aquilo que fazia, fazia muito bem. Ganhava muito dinheiro, tinha uma casa muito boa e era feliz. Tinha muitos colegas no meu trabalho de quem gostava muito. Trabalhávamos 12 ou mais horas por dia, a fazer escavações e descobertas que enriqueciam a história do nosso país, Portugal. Mas, entretanto, algo começou a mudar… Eu comecei a ficar de desinteressada pelo meu trabalho. As descobertas e escavações que eu realizava começaram a perder o seu gosto. Acho que o que eu fazia começou a ficar insípido. Durante muitos dias pensei sobre o assunto e cheguei a uma conclusão. Eu queria trabalhar no Egipto. Aventuras novas, descobertas novas e costumes diferentes. Mas eu não podia tomar essa decisão sem antes consultar os meus pais. Quando, no fim-de-semana fui à casa, reconheci o cheiro habitual que me era tão familiar, o cheiro a rosas. A minha mãe era a minha confidente, a minha conselheira e eu sabia que podia contar sempre com a opinião mais sincera dela. O meu pai já era mais calado e só abria a boca quando tinha algo realmente importante para dizer. Passámos a tarde toda a falar. Eles apoiaram a minha decisão. Nos meses seguintes, tratei de todas as responsabilidades acerca da minha mudança para o Egipto e no Verão já estava instalada numa pequena, mas acolhedora casa, na cidade do Cairo e já tinha um óptimo emprego. No entanto, a verdadeira aventura só começou quando eu estava a fazer escavações perto da Grande Pirâmide. Estava um dia muito quente e havia muitos turistas com o seu guia a percorrerem o trajecto turístico habitual. Eu não esperava ter muito trabalho nessa tarde, mas de repente, os meus pensamentos foram interrompidos por um objecto doirado, muito cintilante, que estava enterrado na areia. Fiquei boquiaberta. Era uma chave. Quando olhei com mais atenção, reparei que ela era de oiro e tinha pinturas desenhadas sob as suas formas rudimentares. Dei por mim a correr até à tenda que eu e os meus colegas tínhamos construído perto das pirâmides. Quando lhes mostrei a minha descoberta, eles começaram a festejar e a rir de alegria. Eu não estava a entender nada, mas rapidamente me explicaram que aquela era a chave que abria o cofre secreto de Tutankhamon e que já tinha sido descoberta nos anos 20, só que se perdera antes de o cofre ter sido aberto. Fiquei radiante. Estava nas minhas mãos o objecto que iria revelar um segredo há muito guardado! No dia seguinte, encontravam-se reunidos na nossa tenda improvisada quase todos os arqueólogos da cidade. O cofre e a chave estavam em cima da mesa. Quando eu rodei a chave daquele cofre quadrado, sem qualquer desenho, o meu coração bateu muito depressa. Todos os olhares se dirigiram para aquele lugar. Enfiei a mão dentro do cofre e apenas senti lá um papel. Fiquei um pouco decepcionada. Esperava encontrar lá mais do que um simples papiro com hieróglifos. Mandámos o papiro para especialistas em tradução de hieróglifos e rapidamente tivemos o segredo nas nossas mãos. Foi um momento mágico. O papiro dizia: “ Sei que a minha morte está quase a chegar. Posso ser jovem, mas sou diferente de todos os outros que conhecem. Antes do meu último suspiro quero que juntem o meu coração com o da minha mulher, Akhesenamon, quando ela morrer. É o meu último desejo”. Todos tinham conhecimento de Akhesenamon, a viúva de Tutankhamon e todos sabiam onde o seu túmulo se localizava. O desejo de Tutankhamon foi cumprido. A descoberta não tinha sido o sucesso que se esperava, mas eu sabia a importância daquele desejo escondido nas palavras do faraó. Ele tinha realmente amado aquela mulher e queria que o mundo o soubesse e que se fizesse cumprir o seu desejo.

Fim


Joana, 8ºG

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